Um Museu Judaico em Lisboa

Lisboa, uma das mais antigas e vibrantes capitais europeias, terá pela primeira vez um museu dedicado à longa e muito rica história judaica portuguesa.

O futuro Museu Judaico de Lisboa é uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Associação Hagadá, entidade privada sem fins lucrativos cujo objetivo é promover a criação, construção, instalação e gestão do museu.

O Museu será construído num terreno em Belém, com vista para o rio Tejo e para um dos mais simbólicos monumentos nacionais, a Torre de Belém. O direito de superfície do terreno é cedido pela CML à Associação Hagadá, por um período de 75 anos renováveis. Foi convidado o prestigiado arquitecto internacional Daniel Libeskind para criar o projecto, convite aceite com entusiasmo. A sua proposta será sem dúvida uma grande mais-valia para o museu e para a cidade de Lisboa.

Terreno em Belém onde será edificado o futuro museu

Uma história milenar

O judaísmo tem quase dois mil anos de história no território que é hoje conhecido como Portugal: mil anos de convivência com romanos, visigodos e muçulmanos, antecedendo a fundação da nação, e perto de outros mil de uma história de coexistência e intolerância em terras lusitanas. A presença dos judeus em Portugal é uma história singular de longevidade e diversidade cultural que confere ao judaísmo português uma originalidade e uma especificidade únicas no mundo.

Apesar da significativa presença judaica ao longo da história de Portugal, Lisboa era, até à data, uma das poucas capitais europeias onde não existia um museu para a recolha, preservação e divulgação deste património. O Tikva Museu Judaico Lisboa, vem preencher uma lacuna na oferta cultural da cidade, «desocultando» e dando corpo a um património que permanece por muitos ignorado, atraindo assim portugueses e estrangeiros interessados na dimensão multicultural da riquíssima história do judaísmo português.

É, pois, um trabalho de memória que se impõe. Mas não só. É também um trabalho de futuro, voltado sobretudo para as novas gerações, que dará a conhecer não apenas a realidade da cultura judaica em Portugal e no mundo, mas também uma história de luz e de sombra, de esperança e de tragédia, que nos ensina o valor da diversidade cultural e nos alerta para os perigos da intolerância étnica e religiosa. Não será fruto do acaso o nome escolhido para o nosso museu: Tikva, a palavra hebraica para «Esperança».

Como contar a história?

A história de todos os povos é também a história da sua interação. A vida dos judeus em Portugal é uma história judaica e portuguesa. Cruzaremos ambas com base em momentos, episódios e personagens que nos contam essa estreita ligação feita de tolerância e de perseguição, de amor e de ódio, de desterro e de saudade, de reencontro e reconciliação.
O Tikva Museu Judaico Lisboa contará a história milenar da presença judaica no território que é hoje Portugal, sublinhando o contributo que os judeus deram ao seu país e mostrando que a história e a cultura judaicas são uma parte indissolúvel da História de Portugal.

A presença judaica como parte da identidade portuguesa

Em Portugal, a cultura judaica teve um papel importante, sobretudo entre os séculos XII e XV. Aqui, os judeus foram artesãos, médicos, matemáticos, astrólogos e astrónomos, dedicaram-se ao comércio, às finanças e à agricultura, marcando indelevelmente a história do país.
Apesar das medidas de carácter discriminatório impostas aos judeus portugueses, reinou nesses séculos um período de convivência entre a minoria judaica e a maioria cristã. A comunidade judaica gozava de liberdade de culto e desenvolvia uma atividade económica, científica e cultural, contribuindo para o desenvolvimento do seu país.

Este clima de tolerância cultural e religiosa foi brutalmente interrompido no final do século XV com a assinatura do Édito de Expulsão pelo rei D. Manuel I, as conversões forçadas e a instauração do Tribunal da Inquisição, em 1536. As judiarias foram abandonadas, as sinagogas, escolas e livrarias destruídas, os cemitérios profanados. As perseguições e a passagem do tempo foram apagando as marcas de mais de três séculos de convivência fecunda da vida e da memória do povo português.

Lápide da Grande Sinagoga de Lisboa, 1307

Todavia, os sinais da presença judaica em Portugal subsistem não só um pouco por todo o país – na arquitectura, na toponímia, na linguagem, nos costumes, na cultura e nas mentalidades – mas também espalhados pelo mundo, na diáspora dos judeus portugueses. Foi excepcional o contributo que deram aos países que os acolheram, sem contudo esquecerem o seu «paraíso perdido», sempre presente na linguagem ou nos nomes que deram às suas sinagogas e comunidades reconstruídas.

O ressurgimento do judaísmo tem-se dado lentamente e hoje existe de novo uma presença judaica em Portugal. É constituída, em parte, pelos descendentes de antigos judeus ibéricos, ou «marranos», que mantiveram a sua fé ao longo dos séculos; por judeus de origem marroquina que começaram a estabelecer-se em Portugal no final do século XVIII, após a abolição da Inquisição; por judeus da Europa Central e Oriental, aqui chegados já no século XX na sequência das perseguições antissemitas e nazis, enriquecendo a comunidade judaica portuguesa com a cultura asquenaze e, mais recentemente, por descendentes de judeus sefarditas portugueses, expulsos pela Inquisição, que em resultado da aprovação em Portugal das leis de naturalização puderam adquirir a nacionalidade portuguesa.

Quem somos

Esther Mucznik

PRESIDENTE
ASSOCIAÇÃO HAGADÁ

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Jean-Jacques Salomon

VICE-PRESIDENTE
ASSOCIAÇÃO HAGADÁ

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Diana Ettner

MEMBRO DA DIREÇÃO
ASSOCIAÇÃO HAGADÁ

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Daniel-Libeskind

Daniel Libeskind

PRINCIPAL DESIGN ARCHITECT
STUDIO LIBESKIND NEW YORK

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Sofia-Kahn

Sofia K Paiva Raposo

DESIGN & COMUNICAÇÃO
KAHN DESIGN

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Manuela Fernandes

MUSEOGRAFIA

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ASSOCIAÇÃO HAGADÁ

Para a gestão e instalação do museu foi criada uma associação de âmbito privado sem fins lucrativos a que demos o nome de Hagadá. Porquê este nome? A palavra Hagadá vem da raiz hebraica “higuid” que significa dizer, contar, narrar. É precisamente isso que o museu fará: contar uma história, a história e a cultura dos judeus portugueses e o seu contributo à nação da qual fazem parte.

Assembleia Geral
Paulo Almeida Fernandes · presidente
Clara Kopejka Cassuto · vice-presidente
João Schwarz · vogal

Direção
Esther Mucznik · presidente
Jean-Jacques Salomon · vice-presidente
Diana Ettner · vogal

Conselho Fiscal
Samuel Tuati · presidente
Jean-Claude Gofard · vice-presidente
Ricardo Maissa · vogal

CONSELHO CIENTÍFICO

A história que será contada no Tikvá Museu Judaico Lisboa é validada por um Conselho Científico que integra destacados historiadores da presença judaica em Portugal.

Historiadores (Portugal)

Maria José Pimenta Ferro Tavares

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José Alberto Rodrigues da Silva Tavim

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Elvira Mea

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Lúcia Liba Mucznik

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Irene Pimentel

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Conselho consultivo/científico (internacional)

em construção

Um novo projeto, uma nova imagem, um novo logotipo

O trabalho de preparação concreta do Museu Judaico de Lisboa e a constituição da sua coleção começou em 2016. Ao longo destes quase cinco anos fizemos uma investigação a nível nacional de que resultaram numerosos pequenos vídeos que fomos divulgando na página do Facebook da Associação de Amigos do Museu e que reproduzimos aqui, neste nosso site, com o logo anterior que decidimos não retirar, porque faz parte da nossa história.

Hoje o nosso logotipo e a imagem de fundo da página mudou porque ao sair de Alfama e ao “emigrar” para Belém, o projeto de arquitetura do Tikvá Museu Judaico é outro, tal como o seu autor e o logo que nele se baseava.

Mas deixamos aqui a nossa homenagem a Graça Bachmann, primeira arquiteta do Museu Judaico de Lisboa, autora e doadora do projecto para Alfama que também inspirou o antigo logo.